Quando eu for mãe, pretendo ser grata ao bem que fizerem aos meus filhos como se fosse por mim. Sobretudo para ensiná-los o que é gratidão – tão fundamental ao caráter como honestidade, mais valiosa e gratificante que qualquer pagamento.
Quero ser capaz de me orgulhar verdadeiramente deles. Sem que isso seja uma maneira de ressaltar meus próprios méritos ou abafar minhas faltas.
Quero ser justa, embora humana. Que eu tenha discernimento e maturidade para entender que os filhos não podem ser objeto de minhas frustrações, bode expiatório das minhas culpas, justificativa para o meu sofrimento.
Espero não perder de vista (ao menos não na essência) o fato de que eu sou mãe e eles, filhos. E que isso significa, antes de tudo, doação. É justo que eles errem mais do que eu, que me magoem mais do que eu a eles, que me cobrem mais, que exijam mais compreensão, que se interessem menos pela minha vida que eu pela deles – e sem cobranças por isso. Por um motivo simples: fui eu que os tive, não o contrário.
Que a minha casa seja de verdade a casa deles. Uma casa constantemente povoada por seus amigos, na qual terei prazer em ajudar com os preparativos para festinhas e reuniões. Que eles digam “lá em casa”, ao se referirem a onde moro, mesmo depois de ficarem independentes, e assim nunca se sintam tolhidos de abrir a geladeira, de se hospedarem sem cerimônia, de me pedirem que faça sua comida predileta.
Preciso me lembrar de que é ruim (embora não de todo evitável) envenenar meus filhos contra quem quer que seja, mas que é péssimo jogar pai contra filho, e sórdido quando se trata de dois irmãos. Além de estragar as relações, o que os pais conseguem com isso é despejar todo o seu esgoto em cima dos filhos. Poucas coisas são mais humilhantes e dolorosas.
Gostaria de ter em mente que, quaisquer que sejam os relacionamentos que eu tiver, se tenho filhos, não sou alguém que começa do zero. Portanto não posso estar entregue a alguém a ponto de transformar meus filhos em peso, estorvo ou coisa que o valha. Também não é meu direito deixá-los a mercê do outro e, se isso acontecer, a responsabilidade é minha (e/ou do pai, naturalmente). Porque o filho é meu, e não do meu novo marido/ namorado/ similar. Não se espera regular a conduta de terceiros, espera-se que os pais reajam a ela.
Não devo deixar de me cobrar também algum sangue frio e grandeza. Para engolir seco e não cair na tentação de transformar meu filho em moeda de troca, ou puni-lo para, direta ou indiretamente, atingir quem quer que seja.
Competir com filhos é nojento – é favor que eu não me esqueça. Ok, Freud prevê uma cota de tolerância, mas o normal são pais torcerem para a felicidade dos filhos – e até para que os filhos sejam mais bem-sucedidos que eles. Não que aguardem pelo momento oportuno de dizer “bem-feito!”. Isso é como um soco no estômago.
Aviso-me ainda, com antecedência: é cruel denegrir a imagem de meus filhos, submetê-los a maledicência pela minha própria língua. Em alguns casos, é possível que eles jamais consigam reverter o quadro. Palavra de mãe tem mais peso que sentença de juiz.

5 me engana, que eu gosto:
Gratidão é indício de caráter, sempre digo isso! Adorei, amiga, e seus filhos são seus amigos?! Beijos!
Não, Ru, são os filhos que pretendo ter mesmo, rs.
Parodiando aquela música: "isso , sim é que é ser mãe. O resto é tudo vaca." rsrs. Falando sério, Ceclilia, eu não poderia deixar de me remeter à Khalil Gibran depois dessa sua crônica espetacular: Acho que você já conhece, mas é sempre bom ler esse poema.
"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não são de vós.
E embora convivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes o vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós;
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda Sua força para que Suas flechas se projetem, rápidas para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, também ama o arco que permanece estável."///Um abraço. Paz e bem.
Sempre gostei das coisas que escreve e que linda a foto do perfil! Finalmente de cabelo solto!
Olá Cecília, tudo bem?
Gostaríamos de convidá-la para participar da blogagem coletiva "Bonita por Natureza" promovida pela Rede MUndo Verde http://migre.me/JDvi.
Entre os dias 28 de maio e 7 de junho, faça um post e divulgue as atitudes que fazem de você ou das mulheres que você conhece bonitas por natureza. Não deixe de comentar no Blog Mundo Verde com o link para que possamos divulgar sua colaboração!
Vamos atualizar no Blog Mundo Verde a listagem dos Blogs participantes, por isso é importante que você mande seu link! As blogagens com o tema “Bonita por Natureza” também serão divulgadas no Twitter @mundoverde, é só mandar um recado pra gente com a tag #bonitapornatureza!
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